18/01/2021

Quando pensamos em comprar uma nova Bíblia, temos a tendência de nos questionarmos: “Hoje existem diversas traduções. Qual devo comprar dessa vez?”. Para te ajudar a decidir, preparamos esse artigo com as traduções bíblicas mais utilizadas pelas igrejas brasileiras.

Primeiramente, é preciso esclarecer que, independente da tradução (ou versão); na maioria das passagens, o significado do texto não muda. A mensagem central das Escrituras permanece intacta. Vejamos, então, as histórias por trás de suas origens e as principais diferenças entre elas.

1 – ARC (Almeida Revista e Corrigida)

A ARC é a tradução mais antiga de João Ferreira de Almeida, feita a partir dos manuscritos que dispunha em sua época, no século XVII. Muito antes de ser ter criado o nome “Almeida Revista e Corrigida” e ainda antes da fundação da SBB (Sociedade Bíblica do Brasil) em 1948, o texto da tradução de Almeida já vinha sendo distribuído, no Brasil, por duas sociedades bíblicas: a Britânica e a Americana. A tradução de Almeida, além de ter passado por um longo processo de revisão antes de ser publicada em 1681, já necessitava de imediata revisão, ao sair da prensa. Isto mostra que, revisar a tradução de Almeida, é algo que ocorre desde o início. Assim, em meados do século XVIII, ainda na ilha de Java, foi feita uma revisão do texto de toda a Bíblia. A segunda grande revisão, chamada de “revisão de Londres”, foi feita cem anos mais tarde, entre 1869 e 1875. Vinte anos depois, em 1894, ainda em Londres, o mesmo texto foi corrigido quanto à ortografia e alguns termos obsoletos foram substituídos. A edição de 1898, feita em Lisboa, viria a ser conhecida como Almeida Revista e Corrigida. Seguindo o princípio de tradução por equivalência formal, a Revista e Corrigida é adotada por grande número de igrejas evangélicas em países de fala portuguesa, especialmente no Brasil e em Portugal. Quando Almeida traduziu a Bíblia, no século XVII, o único texto grego disponível, para a tradução do Novo Testamento, era o assim chamado “texto recebido”, que é uma edição do texto grego feita no século XVI a partir de um número reduzido de manuscritos, copiados na parte final da Idade Média. A característica principal do “texto recebido” é a expansão do texto, em vários lugares do Novo Testamento (começando em Mt 2.18, seguindo com Mt 5.22, 6.13, etc.) A Almeida Revista e Corrigida, além de reproduzir o “texto recebido” (no caso do Novo Testamento), é a que mais se aproxima da forma da tradução de Almeida, feita no século XVII. Apesar da substituição de termos arcaicos, feita ao longo do tempo, o leitor não deveria ficar surpreso ao encontrar termos de difícil compreensão no texto da Revista e Corrigida.No Brasil, o texto de Almeida Revista e Corrigida sofreu pequenos ajustes em 1995.

2 – NVT (Nova Versão Transformadora)

O projeto NVT, criado pela editora brasileira Mundo Cristão, tomou como ponto de partida os métodos de tradução da edição mais recente da New Living Translation (NLT), tradução em língua inglesa, conhecida por sua comunicabilidade e acessibilidade. Depois de ter publicado a Bíblia Viva, em 1981, e a Nova Bíblia Viva, em 2010; a editora achou que havia espaço para o lançamento de mais uma versão, oferecendo ao leitor o que de melhor existe em erudição bíblica e os critérios mais recentes de seleção de fontes textuais, tudo isso com linguagem de fácil compreensão. Sem trair o conteúdo, os tradutores optaram pela conciliação entre duas formas de tradução – a literal, palavra por palavra, e a de equivalência funcional; pensamento por pensamento. O objetivo, conforme explicam os editores de Mundo Cristão, é produzir um texto que seja o equivalente natural mais próximo da mensagem expressada pelo texto original, tanto em termos de significado como de estilo. Ou seja, transpor com clareza a mensagem dos textos originais das Escrituras para o português contemporâneo. A Bíblia Sagrada NVT substitui o tratamento da segunda pessoa pela informalidade mais coloquial da terceira. Por exemplo, em Mateus 28.19: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, em vez de “Ide, pois, fazer discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, como traduz a Sociedade Bíblica do Brasil na versão Almeida Revista e Atualizada.

3ARA (Almeida Revista e Atualizada)

A decisão de fazer uma revisão e atualização do texto da Bíblia de Almeida, no Brasil, foi tomada em 1943, cinco anos antes da fundação da Sociedade Bíblica do Brasil (na época, atuavam no Brasil duas sociedades bíblicas: a Britânica e Estrangeira e a Americana). A revisão do Novo Testamento, da qual participou a fina flor da erudição bíblica brasileira de então, foi concluída em 1951. A revisão do Antigo Testamento foi concluída em menos tempo, três anos (de 1953 a 1956), porque dois homens (Antonio de Campos Gonçalves e Paulo W. Schelp) trabalharam em regime de tempo integral, assessorados por um grande número de consultores e leitores externos. A Bíblia completa, na edição Revista e Atualizada, foi publicada em 1959.

O propósito da revisão, que resultou na Revista e Atualizada, era formatar um texto em “linguagem atualizada sem desnaturar certa linguagem bem antiga e tudo sem fugir ao original”. Isto significa que a Revista e Atualizada, além de ser fiel ao original e preservar o estilo de Almeida, é bem menos arcaica do que o antigo Almeida (preservado na Revista e Corrigida). O grande diferencial da Revista e Atualizada – desconhecido por muitos – é a sua legibilidade e sonoridade. Ela foi feita para ser lida em voz alta.

4 – NVI (Nova Versão Internacional)

Nova Versão Internacional (NVI) é uma das mais recentes traduções da Bíblia. Foi publicada pela Sociedade Bíblica Internacional, hoje denominada Biblica, sediada em Colorado Springs. Em 1978 foi apresentada ao povo de fala inglesa uma nova versão da Bíblia, feita pela Sociedade Bíblica Internacional. Traduzida por eruditos, e baseada em padrões linguísticos exigentes, a Nova Versão Internacional possui uma linguagem moderna, compreensível e bastante acessível ao público. Nos anos 90 surgiu a versão da Bíblia (NVI) em português. Em solo pátrio ela também passou pelo crivo de especialistas, antes de ser publicada. Acredita-se que a NVI representa a maturidade que a obra bíblica alcançou no Brasil. Além disso, ela simboliza uma nova etapa na história das traduções da Bíblia. A NVI tem um perfil Protestante, e procura não favorecer nenhuma denominação em particular. É teologicamente equilibrada e procura usar a linguagem do português atual. O processo de tradução da NVI contou com a participação de renomados estudiosos protestantes como Russell Shedd, Estevan Kirschner, Luiz Sayão, Carlos Osvaldo Pinto e Randall Cook (arqueólogo em Israel). O método de tradução da Nova Versão Internacional é semelhante ao da New International Version (tradução em língua inglesa também produzida pela Sociedade Bíblica Internacional), que é um nível de tradução intermediário entre a equivalência formal e a dinâmica: quando o texto pode ser traduzido mais literalmente, é utilizada equivalência formal. Contudo, se o texto traduzido literalmente for difícil de entender para um leitor comum, então é feita uma tradução mais funcional, procurando trazer o significado pretendido no original para um português natural e compreensível. Por esse motivo, em geral a NVI é mais “dinâmica” que as traduções de Almeida, porém mais “literal” que a Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Apesar das semelhanças entre a Nova Versão Internacional e a New International Version a versão brasileira não é uma tradução da língua inglesa, mas sim dos idiomas originais. Notas de rodapé são freqüentes na NVI. Elas trazem explicações de todo tipo e em alguns casos apresentam traduções alternativas (inclusive qual seria a tradução literal).

5 – NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje)

Lançada no ano 2000 pela Sociedade Bíblica do Brasil, destaca-se pela linguagem mais simples e coloquial. A tradução NTLH (Nova Tradução Na Linguagem de Hoje) é voltada às pessoas que ainda não tiveram ou que tiveram pouco contato com a leitura bíblica clássica. De modo que se tornou uma ferramenta de evangelização por possuir um texto mais claro e facilmente compreensível, por não primar pela linguagem clássica que geralmente norteia essas traduções. A versão foi desenvolvida pela Comissão de Tradução da Sociedade Bíblica do Brasil, num processo que tomou 12 anos de pesquisas, buscando manter o texto com significado mais próximo aos textos originais – hebraico, aramaico e grego. A NTLH é uma revisão da Bíblia na Linguagem de Hoje, lançada em 1988. Porém, ela recebeu uma revisão tão profunda que é considerada pela própria SBB como uma nova tradução das Escrituras Sagradas. A nova versão, contudo, não utiliza gírias ou regionalismos, fator que, segundo a Comissão de Tradução, não permitiu que se perdesse o estilo bíblico. Os princípios seguidos nesta revisão foram os mesmos que nortearam o trabalho da tradução na Linguagem de Hoje. A tradução de João Ferreira de Almeida e também outras boas traduções existentes em português seguiram os princípios da tradução de equivalência formal. Já a NTLH, norteou-se pelos princípios de tradução de equivalência funcional ou dinâmica. De todo modo, é uma tradução bastante útil por aproximar o texto bíblico da linguagem geralmente falada pelas pessoas no dia a dia.

6 – NAA – Nova Almeida Atualizada

A Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) apresentou, no dia 8 de novembro de 2017, a conclusão de um trabalho de fôlego, abrangendo a revisão de uma das traduções mais lidas e queridas pelos cristãos brasileiros, a Almeida Revista e Atualizada (RA). A revisão, que recebeu o nome de Nova Almeida Atualizada (NAA), é fruto de quatro anos de trabalho. Publicada com exclusividade pela SBB, a Almeida Revista e Atualizada atravessou 60 anos sem ter sido submetida a uma revisão mais profunda. A recomendação das Sociedades Bíblicas Unidas (SBU), aliança mundial da qual a SBB faz parte, é que isso seja feito a cada 25 anos. O trabalho de revisão, capitaneado pela SBB, contou com a colaboração das igrejas cristãs, que puderam se manifestar tanto no lançamento do projeto, em 2012, como, mais efetivamente, a partir da edição experimental do Novo Testamento, Salmos e Provérbios, em 2016, já com o texto revisado. Os parâmetros da revisão foram definidos em conjunto com especialistas da SBB e representantes de diferentes denominações cristãs. A tradução é fiel aos textos originais, sendo baseada nas edições mais recentes dos textos bíblicos nas línguas originais (hebraico, aramaico e grego). Seu texto é ideal para uso na igreja, para ler em voz alta, bem como para leitura, memorização e estudo pessoal. O estilo segue a norma padrão do português culto escrito no Brasil nos dias de hoje. Assim, a Nova Almeida Atualizada tem linguagem atualizada sem abrir mão do vocabulário e sintaxe eruditos, riqueza de estilos literários, além de legibilidade e sonoridade. Todos esses predicados, tão apreciados pelo leitor de Almeida, continuam presentes na Nova Almeida Atualizada.

Por que, então, ler a Nova Tradução na Linguagem de Hoje? Para muitos, a resposta é simples: para, pela primeira vez, entender o que a Bíblia diz. Mas a Nova Tradução na Linguagem de Hoje é muito boa para quem quer fazer uma leitura rápida da Bíblia. Especialmente em textos narrativos, que são 75% da Bíblia, a NTLH é imbatível. No caso desta tradução, ler trechos maiores, de forma mais rápida, é ler da forma correta, pois ela foi feita para ser lida exatamente assim.

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